Importância da saúde sexual para a saúde mental

A relação entre saúde mental e saúde sexual é uma via de mão dupla. Entenda melhor aqui!
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A saúde sexual vai muito além do prazer e da reprodução; ela está diretamente ligada ao bem-estar emocional, psicológico e até social.

Quando negligenciada, pode gerar impactos significativos na autoestima, nos relacionamentos e na qualidade de vida como um todo. Da mesma forma, questões como estresse, ansiedade e depressão podem afetar a vida sexual, reduzindo o desejo e dificultando a intimidade.

Leia mais: Disfunção erétil psicológica: como causas psicogênicas afetam a saúde sexual

Saúde mental e saúde sexual: qual a relação?

A saúde mental e saúde sexual influenciam diretamente uma na outra, estabelecendo uma relação bastante significativa.

Quando a saúde mental vai bem, a vida sexual tende a ser mais satisfatória, pois são favorecidos fatores como autoestima, comunicação e desejo sexual.

O inverso também é verdadeiro: quando há problemas emocionais, como ansiedade, sintomas depressivos e altos níveis de estresse, o desejo sexual pode sofrer alterações, podendo se tornar até mesmo inexistente. Além disso, o próprio prazer pode ser afetado, proporcionando experiências menos satisfatórias.

Por ser uma relação bidirecional, uma vida sexual saudável tende a contribuir para o bem-estar psicológico por meio de sentimentos de conexão, prazer e relaxamento. A atividade sexual promove a liberação de hormônios como a ocitocina e a endorfina, o que ajuda a reduzir o estresse, melhorar o humor e fortalecer vínculos afetivos.

Questões como sentir-se desejado e compartilhar intimidades com outras pessoas também contribuem para melhoras na autoestima e autoimagem.

Em suma, uma boa saúde sexual não só pode ser consequência de uma saúde mental em dia, mas também pode ajudar a mantê-la!

Embora seja mais comum falarmos dessa relação entre saúde mental e sexual quando falamos da libido feminina, é importante lembrar que isso ocorre também com homens, só acaba não sendo abordado com tanta frequência.

É possível que isso ocorra pelo fato de que a sexualidade masculina é vista como algo muito importante para a identidade do homem, o que pode trazer sentimentos de vergonha ou culpa ao abordar dificuldades na saúde sexual, sejam elas causadas por questões físicas ou psicológicas.

Vale ressaltar que saúde sexual não significa necessariamente manter uma certa frequência de atividade sexual, mas sim a presença de um bem-estar em relação à própria sexualidade. Existem pessoas que não gostam de manter relações sexuais com frequência, bem como pessoas que gostam, e isso não quer dizer que há algo de errado com nenhuma delas.

Em outras palavras, a saúde sexual está mais relacionada a como a pessoa vivencia a satisfação sexual em sua vida do que a frequência com que a pessoa tem relações.

Sinais de uma saúde sexual prejudicada

Alguns sinais de que a saúde sexual pode não estar indo muito bem são:

  • Falta de desejo sexual (libido baixa) quando antes era mais frequente;
  • Dor ou desconforto durante o sexo;
  • Dificuldades em alcançar o orgasmo;
  • Disfunção erétil (homens) ou dificuldade de lubrificação (mulheres);
  • Evitação da intimidade sexual apesar de haver desejo;
  • Sentimentos de preocupação, ansiedade e estresse relacionados ao sexo;
  • Sensação de que o sexo não traz mais prazer;
  • Sensação de que atividade sexual é uma obrigação.

Quando a saúde sexual é afetada pela saúde da relação

Nem sempre a saúde sexual está prejudicada somente por conta de uma falta de cuidado, especialmente quando falamos de relacionamentos monogâmicos de longa duração. A verdade é que diversos fatores podem contribuir para uma piora na vida sexual de um casal, sendo o principal a saúde da relação como um todo.

É relativamente comum, especialmente em casais heterossexuais, que os homens se queixem de uma baixa libido da parceira. No entanto, não é raro que essa baixa na libido esteja diretamente relacionada a insatisfações dentro da relação.

Alguns fatores que indicam que o relacionamento não vai bem e pode ser o principal impedimento de uma saúde sexual em dia são:

  • Falta de comunicação;
  • Ausência de sentimentos de conforto emocional;
  • Quebras de confiança;
  • Estresse e pressão dentro do relacionamento;
  • Rotina e falta de novidade;
  • Sensação de não poder contar com a pessoa.

Transtornos mentais e a saúde sexual

Existem evidências de que alguns transtornos mentais impactam a saúde mental de forma específica. Nem sempre a presença desses transtornos causa um impacto tão significativo, mas às vezes acaba sendo uma questão importante. Alguns exemplos desses transtornos são:

Depressão

Episódios de depressão maior são frequentemente associados a uma diminuição da libido, diminuindo consideravelmente o desejo por relações sexuais. Além disso, não é raro que a pessoa em um episódio depressivo tenha dificuldades em sentir prazer e atingir o clímax.

É mais comum que a depressão afete a vida sexual de mulheres, pois afeta diretamente sua autoestima, fazendo com que se sintam indesejáveis, prestem atenção demais ao próprio corpo de forma negativa, podendo até mesmo evitar o contato íntimo por conta de inseguranças.

No entanto, homens também podem sofrer grandes impactos na saúde sexual quando deprimidos. Homens que sofrem de uma depressão severa frequentemente apresentam disfunção erétil.

Ansiedade

A ansiedade pode prejudicar muito na saúde sexual, sendo muito influente no desenvolvimento de disfunções sexuais.

Homens em especial acabam sofrendo muito com ansiedade ao sentir que podem não conseguir manter uma ereção, o que por sua vez acaba influenciando no desenvolvimento de disfunção erétil.

Em mulheres, a ansiedade pode provocar vaginismo, uma condição na qual os músculos da vagina se contraem, tornando a penetração dolorosa.

Leia mais: Como a ansiedade de desempenho pode prejudicar a vida sexual

Transtorno bipolar

No transtorno bipolar, é comum que haja alterações na libido conforme as mudanças nos episódios de humor que a pessoa vivencia.

Durante um episódio de mania ou hipomania, o desejo sexual pode aumentar significativamente, levando a impulsividade, comportamento sexual de risco ou busca excessiva por novas experiências.

Já em um episódio depressivo, a libido pode diminuir drasticamente, causando desinteresse pelo sexo, dificuldade de excitação e até problemas na intimidade com o parceiro.

Trauma

Pessoas que sofrem de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) após sofrer abuso sexual podem ter dificuldades em estabelecer uma relação saudável com a próproa sexualidade.

É normal que pessoas que sofreram abusos apresentem aversão ao contato íntimo e dificuldades em estabelecer confiança nos relacionamentos.

Devido ao TEPT, sintomas como flashbacks, ansiedade intensa e hipervigilância podem tornar a experiência sexual angustiante ou até inviável. Além disso, a dissociação emocional durante o sexo e a sensação de perda de controle podem dificultar o prazer e a conexão com o próprio corpo.

Esquizofrenia

Pessoas com esquizofrenia podem sofrer de disfunções sexuais por conta do próprio transtorno, que apresenta sintomas como abulia (falta de iniciativa), anedonia (dificuldade em sentir prazer) e afeto embotado (dificuldade em sentir emoções).

Tudo isso acaba impactando questões como a libido e a capacidade de sentir satisfação em relação à sexualidade.

Além disso, não é raro que pessoas com esquizofrenia tenham tido dificuldades em desenvolver relações interpessoais antes do aparecimento do transtorno, pois é comum que essas pessoas apresentem uma personalidade menos sociável antes mesmo de apresentar os primeiros sintomas da esquizofrenia.

Dicas para melhorar a saúde sexual

Se você percebe que a saúde sexual não está indo tão bem assim, aqui vão algumas dicas para melhorar esse aspecto em sua vida:

Conhecer o próprio corpo

Entender o próprio corpo pode ser a chave que falta para melhorar a saúde sexual, pois muitas vezes os problemas podem surgir quando a pessoa não sabe exatamente o que gosta.

Saber o que te faz se sentir bem e te dá prazer é fundamental para desenvolver uma vida sexual saudável, independente se é com um parceiro ou não.

Cada pessoa é diferente, sente e interpreta os estímulos de maneiras variadas, então é interessante explorar a si mesmo para ter certeza de que sabe do que gosta e o que não gosta.

Trabalhar a comunicação

Depois de dar o primeiro passo de autoconhecimento, é importante também saber comunicar isso para o(s) parceiro(s) com quem tem relações íntimas. Caso não haja essa comunicação aberta e transparente, é possível que uma das partes saia frustrada da relação.

Não tenha vergonha de pedir o que gosta e de dizer não para coisas que não deseja. Essas são habilidades fundamentais para ter relações prazerosas e satisfatórias.

Cuidados com a alimentação

A alimentação é importante para manter uma saúde física e mental em dia, podendo influenciar também na libido e na saúde sexual. Por isso, manter uma dieta equilibrada também pode ajudar bastante a melhorar a vida sexual.

Trabalhar a autoestima

Como dito anteriormente, problemas de autoestima podem ter um impacto profundo na sexualidade, podendo levar a problemas como uma baixa na libido ou até mesmo disfunções sexuais.

Por isso, trabalhar a autoestima em terapia e com o autocuidado pode ser um grande aliado na recuperação não apenas da saúde mental, mas também da saúde sexual.

Experimentar novas formas de prazer

A relação sexual não se resume à penetração. Beijos, carícias, massagens e outros estímulos podem ser igualmente prazerosos. Uma boa maneira de melhorar a saúde sexual é permitir-se explorar diferentes formas de prazer, respeitando os próprios limites e vontades.

Educação sexual

A fim de quebrar alguns tabus e aumentar a confiança na área da sexualidade, a educação sexual pode ser uma grande aliada. Para isso, é importante entender melhor o funcionamento do próprio corpo de um ponto de vista fisiológico e os aspectos emocionais da sexualidade. É possível buscar informações em livros, podcasts, vídeos e com profissionais especializados.

Prevenção de ISTs

Independentemente do estado civil, a prevenção é fundamental. Isso pode ser feito utilizando preservativos e realizando exames regulares para garantir a saúde sexual.

Com este artigo, é possível perceber que a saúde mental e sexual é uma via de mão dupla, influenciando-se mutuamente o tempo inteiro.

Se você sente que alguma dessas duas está descompassada e pode estar prejudicando a outra, é importante buscar ajuda com profissional capacitado em atender essas demandas, como um psicólogo ou psiquiatra com especialização em sexualidade.

Referências

https://www.news-medical.net/health/Integrating-Mental-and-Sexual-Health.aspx
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6912629/
https://www.who.int/teams/sexual-and-reproductive-health-and-research/key-areas-of-work/sexual-health/defining-sexual-health
https://eddystone.org.uk/blogs/news-from-the-eddystone-trust/understanding-the-connection-between-mental-health-and-sexual-wellbeing
https://healthymale.org.au/health-article/sex-mental-health-anxiety-stress-depression

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