Esquizofrenia: o que é, sintomas, causas e tratamento

Transtorno psicótico traz prejuízos significativos, mas possui tratamento. Entenda!

A esquizofrenia é um transtorno mental grave que afeta a forma como a pessoa pensa, percebe a realidade, sente e se relaciona com o mundo ao seu redor.

Apesar de relativamente conhecida e surpreendentemente comum, o transtorno ainda é cercado por mitos, desinformação e estigma, o que dificulta o reconhecimento dos sintomas e o acesso ao tratamento adequado.

Neste artigo, você vai entender o que é esquizofrenia, quais são suas principais causas, como é feito o diagnóstico e quais são as formas de tratamento disponíveis atualmente.

O que é esquizofrenia?

A esquizofrenia é um transtorno psicótico, caracterizado pela presença de sintomas como alucinações, delírios, alterações do pensamento, isolamento social e dificuldades cognitivas.

Na esquizofrenia, a pessoa apresenta uma grande dificuldade em reconhecer a realidade, pensar logicamente e se comportar de forma adequada em situações sociais.

O transtorno é bastante comum e estima-se que, mundialmente, afeta 1 a cada 100 pessoas.

Ele costuma se manifestar no final da adolescência ou início da vida adulta, mas cada caso apresenta características e evoluções próprias.

É importante ressaltar que existem diversos transtornos psicóticos, e a esquizofrenia é apenas mais um deles. Nem todas as pessoas que apresentam sintomas psicóticos serão, de fato, diagnosticadas com esquizofrenia.

Sintomas da esquizofrenia

Os sintomas da esquizofrenia podem variar de pessoa para pessoa, mas geralmente envolvem alterações na percepção da realidade, no pensamento, nas emoções e no comportamento.

Esses sinais não aparecem todos de uma vez e podem se manifestar de forma gradual, o que muitas vezes dificulta o reconhecimento precoce do transtorno.

Compreender quais são os principais sintomas da esquizofrenia é essencial para buscar diagnóstico e tratamento adequados.

De modo geral, eles costumam ser classificados em sintomas positivos, negativos e cognitivos, cada um afetando aspectos diferentes do funcionamento mental e social.

Sintomas positivos

Os sintomas positivos são os sintomas psicóticos propriamente ditos, como:

  • Alucinações (que podem ser auditivas, visuais, táteis, entre outros);
  • Delírios (convicção em ideias irreais);
  • Fala desorganizada.

Sintomas negativos

Os sintomas negativos estão relacionados ao humor, às emoções e dificuldades comportamentais. Dentre eles:

  • Redução da intensidade na expressão emocional (afeto embotado);
  • Fala limitada e irresponsiva;
  • Dificuldades para iniciar ou continuar tarefas;
  • Apatia.

Sintomas cognitivos

Há pessoas que lidam também com sintomas cognitivos, como problemas com a memória de trabalho e na função executiva.

Causas e fatores de risco

As causas da esquizofrenia não estão bem estabelecidas, mas especialistas acreditam que se trata de uma combinação entre genética e fatores ambientais.

Quando uma pessoa possui um parente direto como um pai ou um irmão diagnosticado com esquizofrenia, essa pessoa tem 10% de chance de também desenvolver o transtorno.

Esse risco se torna ainda maior, chegando a 65%, quando uma pessoa tem um irmão gêmeo diagnosticado com esquizofrenia.

Cientistas identificaram que existem diversos genes relacionados à esquizofrenia, ou seja, o transtorno não é causado por apenas um gene específico.

Estima-se que esses genes afetam o jeito que o cérebro se desenvolve e como os neurônios se comunicam uns com os outros, deixando a pessoa suscetível ao desenvolvimento dos sintomas esquizofrênicos.

Quando uma pessoa com essa tendência à esquizofrenia é exposta a determinados fatores de risco, como estresse, toxinas, infecções, deficiências nutricionais etc., o transtorno pode se manifestar.

Como é feito o diagnóstico da esquizofrenia?

Não existe um exame ou teste específico para diagnóstico da esquizofrenia, o que torna o processo um pouco mais complexo e lento.

Em geral, o diagnóstico é feito com o acompanhamento de um psiquiatra, que observa a evolução dos sintomas e seu impacto funcional, avaliando se o padrão dos sintomas se encaixa nos critérios diagnósticos do transtorno.

Isso porque sintomas psicóticos podem fazer parte de uma série de outros transtornos, de forma que a mera presença de tais sintomas não é o suficiente para fechar o diagnóstico de esquizofrenia.

Os critérios diagnósticos da esquizofrenia são:

  • Dois ou mais sintomas característicos (como delírios, alucinações, fala desorganizada, comportamento desorganizado, sintomas negativos), sendo pelo menos um dos sintomas delírios, alucinações ou fala desorganizada;
  • Os sintomas causam deterioração do funcionamento no âmbito profissional, escolar ou social desde o início da doença;
  • Sintomas duram por pelo menos 6 meses de forma contínua.

Vale ressaltar que podem ser pedidos exames complementares, pois problemas como uso de substâncias e desequilíbrios hormonais podem causar sintomas psicóticos semelhantes à esquizofrenia.

Dentre os quadros que podem ser facilmente confundidos com esquizofrenia estão:

  • Tumores cerebrais;
  • Epilepsia do lobo temporal;
  • Doenças da tireoide;
  • Doenças autoimunes;
  • Doença de Huntington;
  • Doenças hepáticas;
  • Deficiências de vitaminas;
  • Efeitos colaterais de medicamentos.

Tratamento

O tratamento da esquizofrenia é feito de forma multidisciplinar, a depender da severidade do caso.

Medicamentos, psicoterapia, terapia ocupacional e assistência social podem ser importantes para auxiliar na qualidade de vida da pessoa diagnosticada com o transtorno.

Medicamentos

No que tange os medicamentos, eles são usados principalmente para tratar os sintomas positivos do transtorno. São medicamentos conhecidos como antipsicóticos, que ajudam a aliviar esses sintomas.

Atualmente, existem diversas opções de antipsicóticos disponíveis no mercado. Os mais antigos são conhecidos como “primeira geração” e possuem um risco maior para efeitos colaterais intensos, como espasmos musculares, rigidez, movimentos involuntários, etc.

Já os antipsicóticos desenvolvidos mais recentemente, chamados também de antipsicóticos de “segunda geração”, são tão eficazes quanto os da primeira geração, causando menos efeitos colaterais significativos. Contudo, são conhecidos por causarem mudanças no metabolismo e possivelmente ganho de peso.

É importante ressaltar que cada organismo reage à medicação de forma diferente, portanto, nem todas as pessoas respondem bem aos antipsicóticos de segunda geração, sendo necessário recorrer aos de primeira geração para que o tratamento seja eficaz.

Além disso, independente da geração, todos os antipsicóticos causam alguns efeitos colaterais em comum, como:

  • Sedação;
  • Lentidão;
  • Desmotivação;
  • Dificuldades de concentração;
  • Alterações de sono;
  • Boca seca;
  • Constipação;
  • Mudanças na pressão sanguínea.

Psicoterapia

Na psicoterapia, o foco são os sintomas negativos e possíveis comorbidades que a pessoa com esquizofrenia pode desenvolver.

O terapeuta irá ajudar a pessoa a entender sua própria experiência e ressignificar o que for necessário, sempre buscando expectativas realistas a respeito do tratamento.

Vale ressaltar que o tratamento somente com psicoterapia pode não ser tão efetivo, pois a psicoterapia não consegue tratar os sintomas positivos da esquizofrenia.

Para além da própria esquizofrenia, a psicoterapia pode ajudar a tratar comorbidades como depressão, ansiedade, abuso de substâncias, entre outras.

Como é viver com esquizofrenia?

A esquizofrenia é um transtorno para a vida toda e os sintomas podem estar mais ou menos aflorados em determinados momentos.

Em geral, os sintomas psicóticos podem sofrer períodos de exaltação e atenuação, enquanto os sintomas negativos tendem a ser mais persistentes.

O funcionamento no dia-a-dia pode ser bastante impactado e a pessoa pode nunca conseguir recuperar o nível de funcionalidade que tinha antes do desenvolvimento do transtorno. Contudo, isso não é inevitável, em especial quando se inicia o tratamento cedo e a pessoa recebe todos os apoios necessários.

A expectativa de vida de uma pessoa com esquizofrenia pode diminuir consideravelmente, especialmente se ela se isolar socialmente, afastando-se de relações saudáveis com pessoas que a apoiam, e se ela tiver quedas significativas no autocuidado e na higiene. As alterações no juízo também podem aumentar o risco de acidentes.

Todas essas questões podem ser atenuadas se o tratamento for seguido corretamente. É importante ressaltar que uma pessoa com esquizofrenia provavelmente precisará de tratamento ao longo da vida, ou seja, não é recomendado parar o tratamento só porque a pessoa está melhor e não há manifestação dos sintomas.

O prognóstico do transtorno melhora quanto mais tarde ele se desenvolve, e a ausência de histórico familiar de esquizofrenia é um bom indicativo de um prognóstico melhor.

Comorbidades da esquizofrenia

Viver com esquizofrenia frequentemente traz consigo comorbidades, ou seja, outros transtornos que podem acentuar os sintomas da própria esquizofrenia.

Um dos transtornos mais comuns entre pacientes com esquizofrenia é a depressão, devido às limitações que o transtorno traz para sua vida. A ideação suicida é frequente nessa população.

Além disso, muitas pessoas com esquizofrenia acabam desenvolvendo abuso de substâncias, o que por sua vez dificulta a adesão ao tratamento adequado, exacerbando os sintomas.

Por fim, pessoas com esquizofrenia também apresentam maiores chances de desenvolver síndrome metabólica, uma síndrome caracterizada por um grupo de fatores de risco para doenças cardiovasculares e diabetes. Dentre estes fatores de risco estão obesidade, hipertensão arterial e níveis anormais de lipídios na corrente sanguínea.

A esquizofrenia é um transtorno crônico que podem impactar significativamente a vida de uma pessoa, mas com o tratamento adequado é possível recuperar a qualidade de vida.

Se você suspeita ou conhece alguém que está apresentando sintomas semelhantes a um transtorno psicótico, não hesite em buscar ajuda de um profissional da saúde mental o quanto antes.

Referências

American Psychiatric Association (2022). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5th edition, Text Revision (DSM-5-TR). American Psychiatric Association Publishing: Washington, DC.

https://www.health.harvard.edu/mind-and-mood/schizophrenia-a-to-z

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