O tratamento para transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) é feito tanto com o uso de medicamentos quanto com psicoterapia.
A medicação serve para ajudar a manter o fluxo de neurotransmissores equilibrado, aliviando os sintomas ansiosos causados pelo transtorno.
No entanto, muitas pessoas também precisam falar sobre o trauma em si para conseguir elaborá-lo. Neste sentido, a psicoterapia tem um papel crucial no tratamento do transtorno.
Neste artigo, vamos abordar o tratamento farmacológico para o transtorno de estresse pós-traumático, o que ajuda e o que pode atrapalhar o tratamento, entre outras questões pertinentes.
Qual o tratamento farmacológico do TEPT?
O tratamento de primeira linha do transtorno de estresse pós-traumático é o uso de antidepressivos. Embora o transtorno apresente uma série de sintomas ansiosos, há evidências de que um dos tratamentos mais eficazes é feito com antidepressivos.
Os medicamentos ansiolíticos, frequentemente chamados de “calmantes”, podem prejudicar a evolução do quadro em um primeiro momento. Isso porque eles podem atrapalhar a consolidação de memórias, o que contribui para os sintomas de TEPT.
Não raramente, familiares ou amigos de pessoas que sofreram traumas tentam dar um destes medicamentos para a vítima logo após o evento traumático, numa tentativa de acalmá-la. No entanto, isso tem um efeito iatrogênico, o que significa que, ao invés de ajudar, piora ainda mais o quadro.
Como os ansiolíticos podem prejudicar o tratamento?
Os ansiolíticos, em especial os benzodiazepínicos, são medicações que têm um efeito depressor do sistema nervoso. Em outras palavras, essas medicações vão tornando as sinapses menos ativas, o que combate os sintomas ansiosos, mas ao mesmo tempo prejudica outras funções, como a memória.
No caso de traumas, existem hipóteses nas quais o chamado estresse pós-traumático é, na realidade, um erro na consolidação das memórias traumáticas, causado pelo estresse do momento do trauma.
É como se o cérebro não conseguisse gravar aquela memória como um acontecimento numa ordem cronológica, desintegrando a memória em questão dos circuitos de memórias autobiográficas.
Desta forma, o cérebro fica tentando regravar a memória diversas vezes seguidas, numa tentativa de consertar este erro, o que acaba gerando muitos dos sintomas do TEPT, como os flashbacks, os pesadelos e a sensação de que está tudo acontecendo novamente — especialmente por conta da desintegração com as memórias autobiográficas.
Todo ansiolítico piora o TEPT?
Não, nem todo ansiolítico traz prejuízos ao tratamento. Na realidade, por se tratar de um transtorno que causa muitos sintomas ansiosos, os ansiolíticos podem sim ter um efeito terapêutico no TEPT.
Contudo, a administração dessa medicação deve ser feita de acordo com a prescrição de um psiquiatra.
Em especial, os ansiolíticos do tipo benzodiazepínicos são os que podem piorar os sintomas. Contudo, existem ansiolíticos de outros tipos que podem ser receitados a critério do psiquiatra.
Vale ressaltar que alguns medicamentos ansiolíticos podem causar tolerância e dependência química. Por isso, eles não podem ser usados por muito tempo, ao contrário dos antidepressivos, que podem ser usados durante vários meses ou até mesmo anos quando necessário.

Como os antidepressivos ajudam no TEPT?
Os antidepressivos são medicamentos que aliviam os sintomas da depressão. No entanto, estudos mostram que eles têm efeitos positivos nos sintomas ansiosos também, podendo auxiliar bastante nos casos de estresse pós-traumático.
Os principais antidepressivos trabalham com um neurotransmissor chamado serotonina. Apesar de ser frequentemente associada à felicidade, a serotonina é na realidade reguladora do humor (e não promotora de felicidade), bem como do sono, da libido e de diversas outras funções.
Regulando o humor, os antidepressivos ajudam a aliviar as alterações cognitivas e emocionais causadas pelo estresse pós-traumático. Eles também podem ajudar o paciente a ter noites de sono melhores, por conta dos efeitos reguladores de sono — embora esse nem sempre seja o caso, tendo em vista que há relatos de pessoas que têm mais pesadelos ao tomar antidepressivos.
A serotonina também tem importância para a geração, consolidação, recuperação e reconsolidação de memórias relacionadas ao medo. Por isso, ela também tem um papel importante na luta contra os sintomas do TEPT.
Com toda essa regulação, os sintomas ansiosos também vão diminuindo. Pensamentos disfuncionais ocorrem com menos frequência, permitindo um fluxo de pensamento menos prejudicial e que não alimenta o medo causado pelo trauma, por exemplo.
Em suma, os antidepressivos trazem uma regulação mais geral da cognição e das emoções, sem prejudicar a consolidação de memórias, como no caso de alguns ansiolíticos, permitindo que os sintomas do TEPT causados por problemas na memória se resolvam com mais facilidade.
Quanto tempo demora para o tratamento dar resultado?
Não existe um número exato que represente o tempo que leva para que o tratamento faça o efeito esperado.
No entanto, sabe-se que os sintomas de TEPT costumam ir diminuindo à medida que o tempo passa, mesmo sem intervenção psiquiátrica ou psicológica.
Contudo, isso não significa que os tratamentos são dispensáveis. Tudo vai depender da severidade dos sintomas e do quão funcional a pessoa consegue ser no dia-a-dia.
Embora grande parte dos casos de TEPT tenham uma melhora significativa já nos primeiros 3 meses, podendo chegar a remissão total em 6 meses, isso não é uma regra e cada pessoa responde de uma forma diferente.
Portanto, algumas pessoas podem precisar de ajuda por mais tempo. Pessoas que têm suas rotinas profundamente afetadas pelo evento traumático podem necessitar de um tratamento mais intenso e que pode demorar mais para dar resultados.
Existem pessoas que desenvolvem um TEPT crônico, ou seja, que dura mais de 6 meses e que pode necessitar de tratamento por até mais de ano.
Há também pessoas que desenvolvem outros transtornos após o TEPT. Portanto, mesmo que já não preencham mais os critérios diagnósticos de transtorno de estresse pós-traumático, a pessoa pode continuar necessitando de um tratamento psicológico e/ou psiquiátrico por conta de uma depressão ou ansiedade residual.

Embora muitas pessoas se recuperem do estresse pós-traumático em alguns meses, outras acabam desenvolvendo uma condição crônica que precisa de tratamento.
Se você passou por algum trauma recentemente e sente que seus dias estão sendo prejudicados, não hesite em buscar ajuda com um profissional da saúde mental!
Referências
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4393536/
https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/post-traumatic-stress-disorder/diagnosis-treatment/drc-20355973
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26164054/