Psicoterapia: como é? Funciona?

A psicoterapia é uma grande aliada no tratamento dos transtornos mentais, especialmente aquelas com eficácia comprovada. Saiba mais aqui!
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Ao iniciar a jornada do tratamento psicológico, muitas pessoas apresentam um certo ceticismo em relação à psicoterapia. Muitas vezes, ouviram de parentes ou amigos relatos desagradáveis, possuem parentes que dizem que terapia não funciona, entre outros.

No entanto, em grande parte dos casos, a psicoterapia se mostra como uma grande aliada da saúde mental, podendo trazer mudanças a longo prazo que faz com que a pessoa entre em remissão, ou seja, a pessoa alcança uma estabilidade na qual os sintomas do transtorno não mais causam sofrimento significativo em sua vida.

Contudo, existem diversos tipos de psicoterapia e nem todas elas possuem o mesmo respaldo científico. Aqui no IPPr, prezamos pela medicina baseada em evidências, que tem como premissa a ideia de que decisões clínicas devem ser tomadas de acordo com as melhores evidências científicas disponíveis.

Neste sentido, buscamos sempre recomendar as terapias mais eficazes, que são terapias estruturadas, feitas na frequência certa, tendo a duração necessária, sem precisar se estender indefinidamente.

Que terapias são essas?

Algumas das terapias que atendem aos critérios anteriormente citados são:

Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)

Trata-se de uma das terapias mais comuns e não é para tanto: é a terapia que, de fato, possui o maior volume de evidências científicas de sua eficácia.

Trata-se de uma terapia que pode ser breve, durando poucas semanas, pois é uma terapia com objetivos específicos.

Já na primeira sessão, o paciente decide, junto com o terapeuta, o cronograma do tratamento, citando as demandas que vê como mais importantes no momento. Juntos, paciente e terapeuta definem os temas das sessões e buscam focar nos temas conforme as sessões avançam.

Claro que isso não significa que o paciente obrigatoriamente terá que focar naquele tema específico durante a sessão. Imprevistos acontecem e, se numa sessão o paciente tem vontade de falar de alguma outra coisa que aconteceu recentemente, isso é completamente aceitável.

O importante é que, independente do número de sessões, eventualmente todas as questões trazidas no cronograma serão abordadas.

Análise do comportamento

A análise do comportamento é diferente da TCC porque não foca no componente cognitivo, mas sim nas contingências que reforçam comportamentos que são prejudiciais.

Neste sentido, busca-se analisar de que forma os sintomas dos transtornos são reforçados e são elaboradas estratégias para impedir esse reforço, eventualmente amenizando os sintomas.

Em alguns casos, por exemplo, a depressão pode ser vista como uma falta de reforçadores na vida da pessoa, o que faz com que ela perca o interesse em realizar as atividades que antes realizava. Ao reconhecer isso, o terapeuta ajuda o paciente a encontrar novos reforçadores para poder, aos poucos, retomar suas atividades.

Contudo, cada caso é um caso e é necessária uma avaliação formal por um psicólogo da análise do comportamento para identificar corretamente as condições que levam ao reforço dos sintomas.

Terapia comportamental-dialética (DBT)

A terapia comportamental-dialética, também chamada de DBT por conta do seu nome em inglês (Dialectical Behavior Therapy), é uma terapia que foi pensada para pacientes de alto risco que têm problemas na regulação emocional.

De acordo com a DBT, o paciente apresenta uma desregulação emocional por não contar com os recursos internos necessários para lidar com suas emoções. Isso acaba o levando a comportamentos mal adaptativos com grande potencial destrutivo.

Por isso, o foco da DBT é o treinamento de habilidades para lidar com essas emoções e expressá-las de forma mais adaptativa, diminuindo o potencial destrutivo e os prejuízos na vida da pessoa.

Terapia de aceitação e compromisso (ACT)

Para a terapia de aceitação e compromisso (ACT, do inglês Acceptance and Commitment Therapy), o sofrimento é resultado de uma inflexibilidade psicológica causada por esquiva experiencial, fusão cognitiva, um apego a um conceito rígido de si mesmo e a perda do contato com o momento presente.

Neste sentido, esta é uma terapia que busca promover a flexibilidade psicológica por meio de estratégias de aceitação, mindfulness e comprometimento. O objetivo é auxiliar o paciente a manter um contato direto e completamente consciente com o momento presente, agindo de forma condizente com seus valores e evitando se deixar levar por pensamentos automáticos e agir sobre emoções contraproducentes.

Existem outras?

Atualmente, existem muitas terapias regulamentadas pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP). As terapias citadas aqui são apenas algumas que acreditamos trazer bons resultados de acordo com as evidências científicas.

No entanto, em última análise, a terapia a ser feita é uma escolha do paciente. É importante que o paciente busque uma terapia com a qual se sinta confortável e sinta que produz resultados, mesmo que não obedeça todos os critérios aqui mencionados.

A frequência da terapia importa?

Sim, a frequência da terapia importa, especialmente quando o paciente está no início do tratamento e ainda apresenta muitos sintomas significativos.

Em geral, a maior parte das terapias são feitas semanalmente, ou seja, é marcada uma sessão por semana. No entanto, dependendo da situação, é possível uma terapia quinzenal (uma sessão a cada duas semanas) ou até mesmo duas sessões por semana.

Eventualmente, pessoas que estão em crises agudas podem precisar de mais do que duas sessões por semana.

No entanto, não existe um número certo de sessões por semana. Tudo depende do paciente, do quadro que está apresentando, das demandas atuais e da sua disponibilidade.

Quanto tempo dura a terapia?

Algumas terapias contam com protocolos de número de sessões dependendo do quadro apresentado pelo paciente. No entanto, nem sempre esses protocolos são seguidos à risca, especialmente porque nem todos os pacientes respondem de forma igual aos tratamentos.

Neste sentido, é difícil estimar quanto tempo a terapia dura. Pacientes que iniciam uma terapia com um protocolo que prevê 18 sessões, por exemplo, podem receber alterações na duração da terapia a depender da sua resposta ao longo do tempo. Há pessoas que são “liberadas” antes e outras que podem acabar necessitando mais algumas sessões para conseguir trabalhar todas as questões.

Por fim, é importante ressaltar que a questão do tempo de duração está, essencialmente, nas mãos do paciente. Pacientes que engajam ativamente na terapia tendem a ter resultados mais rapidamente, enquanto pacientes que não se envolvem tanto podem acabar tendo uma progressão lenta ou até mesmo não verem resultados, fazendo-os desistir da terapia.

Vale lembrar que a terapia não é como um internamento médico no qual é necessário ter alta do médico para voltar para casa. Quando um paciente não vê vantagem em continuar o tratamento, é do seu direito interrompê-lo.

No entanto, é recomendado que o paciente informe a decisão ao psicoterapeuta e compareça a pelo menos uma última sessão para receber um feedback do seu progresso ao longo da terapia. 

Posso fazer terapia no IPPr?

No momento, devido a falta de profissionais, o IPPr não está oferecendo o serviço de psicoterapia. No entanto, possuímos parceiros que podemos indicar de acordo com o seu caso.

Se você deseja um encaminhamento, é recomendado marcar uma consulta para uma avaliação formal, de forma que seja possível indicar a terapia mais efetiva de acordo com as evidências científicas disponíveis no momento.

A terapia é uma grande aliada na recuperação da qualidade de vida quando se convive com um transtorno mental. Felizmente, existem diversas abordagens e várias possuem um bom respaldo científico, o que ajuda na hora de escolher uma terapia adequada para o paciente.

Se você está enfrentando algum problema emocional ou acredita ter sintomas de algum transtorno mental, não hesite em buscar ajuda de um profissional da saúde mental!

Referências

https://contextualscience.org/act
https://solaramentalhealth.com/how-often-should-i-go-to-therapy/
https://www.verywellmind.com/dialectical-behavior-therapy-1067402#what-is-dialectical-behavioral-therapy

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